2016: uma odisseia em Europa

2016: uma odisseia em Europa

Europa
imagem: www.nasa.gov

” TODOS ESTES MUNDOS…

Deixaram-na, de fato, para o último minuto; ou quem sabe os cálculos estivessem, afinal, de uma precisão soberba. Houve tempo apenas para que aquelas doze palavras se repetissem umas cem vezes, pois a pancada seca do calor esmagou a nave.

Por curiosidade, e por um certo temor crescente da longa solidão que o esperava, ficou ali, aquele que um dia fora David Bowman, Comandante da Espaçonave Discovery dos Estados Unidos, a observar a carcaça ferver, obstinada, e desaparecer. A nave, por muito tempo, conservou a forma aproximada; depois, as sustentações do carrossel emperraram, liberando instantaneamente o momentum armazenado do gigante volante giratório. Numa detonação muda, os fragmentos incandescentes tomaram miríades de rumos diferentes.

— Alô, Dave. O que aconteceu? Onde estou?

Ele não sabia que era capaz de relaxar, de gozar um momento de realização. Antes, amiúde, sentia-se qual um cãozinho de estimação controlado por um dono cujo comportamento ele poderia às vezes fazer concordar com seus desejos. Ele pedira um osso; e jogaram-no para ele.

— Eu explico depois, Hal. Temos muito tempo.

Esperaram até que se dissipassem os últimos fragmentos da nave, além mesmo de seus poderes de detê-los. Em seguida, partiram, foram assistir à nova alvorada no lugar preparado para eles; e esperar, através dos séculos, até que fossem convocados mais uma vez.”

Trecho de “2010: uma odisseia no espaço II”, de Arthur C. Clarke

 

europa-blog

 

A primeira coisa que me lembrei, quando se começou a falar sobre a confirmação de vestígios da existência de água na lua de Júpiter, Europa, pela NASA, foi do livro de Arthur C. Clarke, continuação do famoso “2001: Uma odisseia no espaço”, não sei se muitos conhecem a sequência. Decerto não os mais novos. E eu, entre a razão das equações da física e a paixão pela ficção científica, fico com os dois.

O livro “2010: uma odisseia no espaço II”, escrito em 1982, relata a escolha de Europa como um novo local para o desenvolvimento da vida, depois de Júpiter se transformar em uma estrela e, com seu calor irradiado, derreter a extensa camada de gelo que cobre a sua ex-lua, novo-planeta, liberando os oceanos congelados e permitindo o desenvolvimento da vida em uma nova Europa com clima tropical.

Bem, apesar de  Júpiter ter enorme atração gravitacional e uma grande massa gasosa, esta não é suficiente para dar início ao processo de fusão em seu núcleo transformando o planeta gigante em uma estrela. Por este motivo, ele também é designado atualmente uma sub-anã-marrom.

Mas o que me encanta nisso tudo são as coincidências do autor. Da arte e da vida.

De volta à Terra…

No mundo real, a Agência Espacial Norte Americana (NASA) acaba de anunciar a confirmação da existência de indícios da emissão de vapores de plumas de água (algo como um gêiger). Essa confirmação, aumenta a euforia pela incansável busca do homem pela existência de alguma forma de vida fora da Terra, e coloca Europa na linha de frente das possibilidades, junto com Marte.

Agora, é correr para desenvolver tecnologia que permita colher e estudar essa água, o que deve acontecer nas próximas décadas. A Agência Espacial Européia (ESA) já tem, desde 2015, um projeto para a construção de uma sonda (batizada de Juice) que deverá orbitar Júpiter no ano de 2030, para estudar o planeta e suas luas.

O que se sabe até o momento, pelo estudo publicado pelos pesquisadores da NASA, é que Europa tem potencialmente duas vezes mais água do que a Terra e que a proporção na produção de hidrogênio/oxigênio é semelhante ao de nosso planeta, além da existência de outros elementos, como enxofre e gás carbônico.

Quem quiser saber mais detalhes, pode ir direto à fonte, no site da NASA

Eu fico por aqui, relendo 2010.

Beijos!!!

 

 

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